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quarta-feira, 26 de maio de 2010

AS LENDAS

Representação da lendária figura do boto ao lado de pinturas indígenas

As lendas fazem parte do patrimônio cultural da Ilha. Através delas o elo entre o real e imaginário se desenvolve emlimites quase que imperceptíveis.

Há registro de personagens que povoaram o imaginário de diversas gerações por seus atos de força, coragem e destemor que provocam o mêdo e apreensão de quantos deles tomassem conhecimento.


Muito difundida, a lenda da Coroa da Espanha, segundo a qual uma das embarcações em que navegava a nobreza espanhola, nas primeiras décadas de 1800, teria se extraviado quando seguia rumo às Antilhas e ao México, atingindo a Baía do Guajará. Desembarcados em Colares, nobres e soldados teriam enterrado seus tesouros, inclusive uma corôa real espanhola na Ponta do Humaitá, em Colares. Ainda hoje o local é visto como “encantado” .

A lenda da Maria Vivó, afirma que uma mulher foi engravidada por uma cobra e ao procurar a ajuda de um pajé, este retirou o filhote de cobra de seu ventre e o cegou de um olho, lançando-o nas águas do rio Tupinambá, tendo chamado-o de “Maria Vivó”. O filhote se desenvolveu, deslocando-se posteriormente para as pedras do farol da Marinha, localizado em frente à cidade, fazendo desse lugar sua morada permanente. Ela teria sido ferida ficando cega do olho esquerdo.

Muitos dos naufrágios acontecidos com as embarcações eram atribuidos à Maria Vivó, que não tinha o hábito de devorar os corpos dos náufragos, pois estes eram sempre encontrados nas proximidades da ilha do Marajó. Ela é temida pelos pescadores que quando a vêem, evitam aproximar-se e esperam que ela retorne às pedras do farol, embora muitos a considerem inofensiva.

Há ainda diversas outras lendas como a lenda do personagem notuno denominado “DÁ” possuidor de incrível força e que botava para correr muitos nativos fortes e saudáveis aparecendo no centro da sede do município. As lendas e mitos enriquecem o patrimônio cultural da Ilha, sempre envolvendo, fatos e pessoas em situações espantosas e extraordinárias.

A lenda do “Pau do descanço” compõe a tradição cultural da Ilha. Segundo ela, há tempos remotos os nativos utilizavam de caminho situado, próximo ao rio Patauá, (hoje situado às cercanias do Bairro do Maranhense) quando realizavam algum sepultamento. O cortejo fúnebre, trazendo o morto enrolado em uma rede, parava sobre uma árvore e ali descansavam. Com o passar dos tempos, avolumaram-se as declarações de muitos habitantes que constataram a aparição à meia-noite do referido cortejo fúnebre que naquele local interrompia sua marcha para descansar.

ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

Logomarca da atual administração municipal

Foram estes os administradores do município desde a primeira eleição municipal:

Prefeito: Sr. Alfredo Ribeiro Bastos Filho
Vereadores: Antônio Felipe de Vasconcelos, Francisco de Paula Trindade Monteiro, José de Assunção Menezes, José Soares da Gama, Jorge de Carvalho Gurjão, Raul Monteiro Ferreira, Raul Monteiro.

Na eleição de 15/11/1966 –
Prefeito: José Soares da Gama;
Vice-Prefeito: Roberto Ribeiro Bastos Filho.
Vereadores: Constantino Ribeiro Bastos, José de Assunção Menezes, Martinho Gama de Azevedo, Manoel do Espírito Santo Vasconcelos, Raul Monteiro Ferreira, Raul Monteiro, Waldemir Alves da Conceição.

Na eleição de 15/11/1970 (mandato de 2 anos) – Prefeito: Alfredo Ribeiro Bastos Filho;
Vereadores: Benjamim Amaral de Oliveira, Jorge Carvalho de Gurjão, José Corrêa Gurjão, Raul Ferreira Monteiro, Raimundo Ferreira Monteiro, Sebastião Carlos de Melo, Waldemir Alves da Conceição.

Na eleição de 15/11/1972 –Prefeito: Vagner Alexandrino Malcher;
Vice-Prefeito: Benjamim Amaral de Oliveira;
Vereadores: Alcides Costa de Azevedo, Jorge de Carvalho Gurjão, João Nascimento Pantoja, Lindalva de Jesus Pereira dos Santos, Waldemir Alves da Conceição, Manoel dos Santos Silva, José Bonifácio Cordeiro Monteiro.

Na eleição de 15/11/1976 – (mandato de 6 anos) Prefeito: Alfredo Ribeiro Bastos Filho;
Vice: Elias Raiol Bittencourt (pai do desembargador Elzeman da Conceição Bitencourt.
Vereadores: Alcides Costa de Azevedo, Cândido Duarte Sodré, Jorge Carvalho Gurjão, Daniel dos Santos Ferreira, Manoel dos Santos Oliveira, Manoel Ferreira da Costa, Raul Ferreira Monteiro.
Nesta eleição o prefeito eleito obteve1.302 votos pela Aliança Renovadora Nacional – ARENA, contra os 368 votos obtidos pela soma dos dois candidatos adversários que pertenciam ao Movimento Democrático Brasileiro - M.D.B.

Eleição em 15/11/1982 – (mandato de 6 anos) - Prefeito: Francisco Xavier Palheta;
Vice-Prefeito: Raimundo Saraiva dos Santos. Vereadores: Alcides Costa de Oliveira, Álvaro Henderson Barata, Esculástico Raimundo dos Santos, Osvaldo Moraes, Manoel Ferreira da Costa, Reinaldo Santos Paixão, Raimundo Oliveira.

Eleição em 15/11/1988 –
Prefeito: Raimundo Saraiva dos Santos;
Vice: Alfredo Ribeiro Bastos Filho.
Vereadores: Cleomar Felícia do Nascimento, Hilário Maciel da Silva, Dilermando Seabra Filho, Álvaro Henderson Barata, Imar Malcher Palheta, Alcides Costa Azevedo, Maria de Fátima Siqueira, Nelson Saraiva Soeiro, Osvaldo Moraes.

Eleição em 03/10/1992 –
Prefeito: Francisco Xavier Palheta;
Vice-Prefeito: Dinalva das Graças Saldanha de Medeiros.
Vereadores: Cleomar Felícia do Nascimento, Iolanda Gonçalves de Azevedo, Maria do Socorro dos Santos, Ana Luisa Mendonça de Oliveira, Dilermando Seabra Filho, Álvaro Henderson Barata, Deusarino Lobato da Silva, Nelson Saraiva Soeiro, Osvaldo Moraes.

Eleição em 03/11/1996 –
Prefeito: João de Deus da Silva Bastos;
Vice-Prefeito: Raimundo Saraiva dos Santos.
Vereadores: Luís Fernando Pinto Marques, Raimundo Sebastião Aranha, Gerson Felício, Walmir Lobo, Cleomar Felícia do Nascimento, Manoel Cardoso, Deusarino Lobato da Silva, Nelson Saraiva Soeiro.

Eleição em 01/10/2000 –
Prefeito: João de Deus da Silva Bastos;
Vice-Prefeito: Raimundo Saraiva dos Santos.
Vereadores: Valmin Corrêa da Trindade (PTB) – Presidente; Maria Lucimar Barata (PTB) – 1ª Secretaria, José Trindade Cardoso (PTB) – 2º Secretário, Cleomar Felício do Nascimento (PFL), Gerson Felício da Silva Filho (PMDB), Manoel Ferreira Cardoso (PSDB), Maria Tereza Furtado de Miranda (PPS), Roberto Nonato da Costa Santos (PMDB), Thiago Corrêa Braga (PSDB).
Com a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal espera-se que o controle das contas públicas possa reverter em melhor e maior utilização das verbas públicas em benefício do Município.

COLARES DE PORTUGAL

Brasão da Vila de Colares em Portugal, hoje, Freguesia de Colares.

A história de Colares de Portugal é contada desta forma por seus habitantes:

‘Colares
Notará o visitante, quando chegar a Colares, que aquilo é vila antiga. E com razão, pois por ali andaram os romanos, os mouros fizeram dela povoação importante, e os cristãos sempre lhe dedicaram um carinho muito especial. Em 1255, D. Afonso III deu-lhe foral; foi posse do Condestável D. Nuno Álvares Pereira e novo foral lhe atribuiu D. Manuel I em 1516. Foi sede de concelho até 1855.
Como dizia Beckford, a terra de Colares, com os seus vales e colinas, a sua várzea, eram para ele «uma origem de perpéctuo encantamento». De facto, verá quem por ali passar um pedaço do paraíso terreal, um canto sublime deste mundo onde habitamos. Há-de o visitante interessar-se pela Igreja de Nossa Senhora da Assunção; a histórica Quinta Mazziotti; o velho Pelourinho e o casario amontuado e denso, denotando ainda uma malha medieval.

“A VILLA DE COLLARES

Nas faldas da serra de Cintra, uma legua ao oeste da villa d’este nome, está sentada a villa de Collares à sombra de frondosos arvoredos. Pela encosta da serra sobranceira à povoação vão subindo algumas casas, quintas, e mattas de castanheiros. Inferior à villa estende-se um fertil valle, denominado Varzea, todo coberto de pomares, e cortado pelo rio das Maças, que vae desaguar no oceano d’ahi uma legua. É pois sobremodo amena e deliciosa a situação de Collares.
Quanto à sua origem pouco se sabe, só sim que é muito antiga, e que já existia no tempo dos romanos, porque d’isto dão testemunho muitas medalhas e inscrições romanas, que ali têm sido encontradas.
Tambem não consta o que passou sob as diversas dominações, a que esteve subjeita a Lusitania depois da queda do imperio romano. Provavelmente viu-se livre do jugo sarraceno ao mesmo tempo que a sua visinha Cintra, que foi resgatada por D. Affonso Henriques.
El rei D. Diniz deu foral a esta villa em Maio de 1255. D. João I fez doação d’ella ao condestavel D. Nuno Alvares Pereira em Agosto de 1385. Depois, passando successivamente a differentes netos d’este heroi, veio a pertencer à infanta D. Beatriz, mãe d’el-rei D. Manuel, pela morte da qual entrou Collares outra vez no dominio da coroa. Este ultimo monarca deu-lhe então novo foral em Novembro de 1516, augmentando-lhe muito os antigos privilegios.
Sobre a etymologia do nome de Collares, parece melhor opinião a que o deriva dos dois collos ou collinas, sobranceiros à Várzea, em que a villa está edificada.
Collares teve tambem o seu antigo castello, e tão antigo que nada se sabe ao certo relativamente à sua fundação. No reinado d’el-rei D. Sebastião, e ja anteriormente, o senado da camara servia-se d’elle para diversos usos do ministerio publico. Porém no tempo dos Filippes de Castella, querendo D. Diniz de Mello e Castro, que foi bispo de Leiria, de Vizeu, e da Guarda, estabelecer n’esta villa a sua residencia, pediu e alcançou a posse do castello, que logo transformou em um palacio, juntando-lhe uma bella quinta, actualmente pertencentes a seus herdeiros.
D’esta fortaleza provavelmente procedem as armas da villa, que são um castello entre arvores.
Tem Collares uma só parochia dedicada a Nossa Senhora da Assumpção. A casa da misericordia foi fundada por D. Diniz de Mello e Castro.
Nas proximidades da villa, em logar plano, mas um pouco mais alto, está o edificio do extincto convento de Sant’Anna, que pertenceu aos religiosos carmelitas. Deu principio a esta fundação frei Constantino Pereira, que morreu em 1465, e era sobrinho do condestavel D. Nuno Pereira. Na capella-mór da egreja está sepultado o seu padroeiro, o bispo D. Diniz, e n’outras sepulturas, em um carneiro, e em dois tumulos de marmore, varias pessoas da sua familia, entre as quaes se contam Antonio de Mello e Castro, e seu filho Caetano de Mello e Castro, ambos vice-reis do estado da India.
Não muito distante de Collares, junto ao oceano, ergue-se a ermida da Peninha sobre um elevado rochedo. Diz a lenda, que, no tempo de D. João III, andando um rapariga muda a pastorear n’esta serra varias ovelhinhas, lhe fugira uma, e depois de procurar, e apparecendo-lhe então ahi Nossa Senhora lhe deu falla. A narração do caso attrahiu logo áquelle sitio todos os povos das visinhanças. Descobriu-se entre as fendas da rocha uma imagem da Virgem, feita de pedra, que immediatamente foi transportada para uma antiga ermida de S. Saturnino, perto d’ahi. Desapparecendo, porém, a imagem por tres vezes, e indo-se sempre achar na mesma penedia, sobre esta se lhe construiu ao principio uma pobre ermida, que no anno de 1673 foi desfeita, e em seu logar edificou a actual Pedro da Conceição, gastando n’ella uma boa herança, que recebera, e fazendo-se ermitão de Nossa Senhora. É o templo pequeno e de humilde apparencia no exterior, porém interiormente é rico de mateiriaes e d’arte, pois que todas as paredes e o altar-mór são de marmores de côres em obra de mosaico. Os marmores foram tirados da mesma serra, a pouca distancia da ermida. Este santuario é ainda hoje de bastante devoção, e concorrencia, porém outr’ora affluia ali muito maior numeros de fieis, e era visitado de muitos cirios e romagens.
Pouco adiante de Collares fica o logar de Almocegeme, e perto d’ahi duas curiosidades naturaes dignas de se ver: a Pedra d’Alvidrar sobre o oceano, e o Fojo mais no interior.
A villa de Collares é cercada de muitas e formosas quintas, das quaes só especialisaremos a de rio de Milho por encerrar a mais gigantesca e vicosa camelia, que ha em toda a Estremadura.
O sitio chamada a Varzea é dos mais lindos e amenos dos arrebaldes da villa. As aguas do rio das Maças, represadas ahi em uma ponte de pedra, deixam gosar o prazer de navegar-se em um pequeno barco, que ali há para esse fim, pelo rio acima até certa distancia, sempre entre pomares, e debaixo do copado arvoredo.
A uma legua da villa está a praia das Maçãs sobre o oceano, onde termina o rio d’este nome, e o valle de Collares. Vão ali muitas famílias tomas banhos do mar na estação propria.
O termo de Collares produz grande abundancia de excellentes frutas, que abastecem a capital, e se exportam para Inglaterra, e de vinhos, que são estimados, e se assimelham aos de Bordeus. (Extrato do Livro “As Villas De Cintra”.)
JUNTA DA FREGUESIA DE COLARES – PORTUGAL
Av.ª dos Bombeiros Voluntários, 77 – Várzea de Colares
2710 Colares
Tel. (01) 929-0788 – Fax (01) 928-3453 “.

QUILOMBO DO CACAU

A presidente da Associação Quilombola de Cacau e Ovos, Sueli de Almeida em assembléia geral
Na localidade de Cacau, na porção Nordeste da Ilha de Colares, em frente à sede do município de Vigia de Nazaré, existe uma comunidade de remanescentes de escravos negros, cujos descendentes eram provenientes de Benguela no Continente Africano. Trazidos para o Norte do Brasil, muitos foram utilizados como mão-de-obra nas lavouras de cana de açúcar, cacau e outros produtos que eram comercializados e exportados para a Europa. Tanto na localidade de Cacau quanto na localidade de Ovos, ambas situadas na Ilha de Colares encontramos descendentes de escravos e de ex-escravos que ali habitam.

Na propriedade havia plantações de cana-de-açúcar, engenho e escravos. Entre eles, Francisca e Catarina, oriundas de Benguela na África. A primeira, mãe da escrava Angela, bisavó do Sr. Avelino de Almeida, que até hoje, reside na comunidade do Cacau. Nesta localidade, havia o Engenho do Barão do Guajará que produzia cachaça e rapadura da cana-de-açúcar. Havia a Casa-Grande, uma represa, construída de pedras e diversos poços; um forno para olaria, utilizado para produzir telhas e utensílios. Ainda hoje, há, ruínas que retratam e rememoram aquela época.
Atualmente, o acesso a sede da Comunidade Quilombola é feito a partir da localidade de Guajará, em Colares, atravessando-se de barco, por cerca de 30 minutos o rio Guajará-Miri e o Rio Tauapará até a entrada do igarapé Cacau. Outra forma de chegar-se à Comunidade Quilombola é a partir do porto da Vigia, de barco, atravessando-se o Rio Guajará-Miri e o rio Tauapará por cerca de 20 minutos.
Assegurou a Constituição Federal de 1988, nos artigos 215 e 216, os Direitos Culturais e Históricos às Comunidades Remanescentes de Quilombos, elevando as terras dos remanescentes de quilombos à condição de Território Cultural Nacional.
O Parágrafo 5º do Art. 216 prevê que “Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscência históricas dos antigos quilombos”.
A Fundação Cultural Palmares, com sede em Brasília desenvolve suas atividades voltadas para o reconhecimento e valorização da raça negra no país. Até o primeiro ano do século XXI foram identificadas, no Brasil, mais de 740 Comunidades Remanescentes de Quilombos. Foram reconhecidas 38 e tituladas 18 comunidades.

quinta-feira, 28 de maio de 2009